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Aos 45 anos, Jéferson Guerreiro Rockembach tem boas lembranças do futebol pernambucano. Atuou nos três grandes clubes da capital. No Sport, foi ídolo entre os anos de 93 e 96. Vestiu as camisas do Náutico, em 97, e a do Santa Cruz, em 98. Em ambas, disputou a Série B do Campeonato Brasileiro. Jéferson era seguro e dono de uma boa impulsão. Tinha tudo para brilhar no cenário nacioanl. Mas sua carreira não decolou. Por falta de oportunidade, encerrou a carreira ao 29 anos. E hoje, morando no Rio de Janeiro, vive da renda dos táxis e das vans que comprou com o dinheiro que guardou durante a vida de atleta. Jéferson trocou os campos pelas ruas da capital carioca, levando passageiros de um canto a outro da cidade.

Jéferson encerrou a carreira em 1999, aos 29 anos, quando jogava pelo Mogi Mirim. “Depois que parei, não joguei nem pelada com os amigos. E profissionalmente, apenas tive uma oportunidade de estagiar no Fluminense, em 2009. Mas houve uma mudança na diretoria e eu acabei saindo”, conta o ex-goleiro, que se destacou nacionalmente no Tricolor das Laranjeiras, no inicio dos anos 90, antes de se transferir para o Sport, em 93. “Fui vice-campeão da Copa do Brasil, em 92. Perdemos o título para o Inter-RS, graças a um pênalti inexistente marcado pelo árbitro. Deixei o Fluminense por causa de Edinho (Nazareth, atualmente comentarista da Sportv), que é um paneleiro, um traíra. Quem não puxasse o saco dele, ele mandava embora”, detonou.

O Sport foi o primeiro clube pernambucano que Jéferson vestiu a camisa. Foi contratado para substituir Ivan, ex-Palmeiras, que não atravessava boa fase e já está sendo alvo das críticas da torcida. Jéferson precisou de poucas partidas para assegurar a titularidade. Se tornou ídolo. “Vi grandes jogadores surgindo no clube, como Chiquinho, Dário, Gilberto Gaúcho, Juninho Pernambucano”, lembra. Jéferson foi campeão pernambucano em 94, participou da brilhante campanha do Brasileirão daquele ano. “Só não fomos mais longe porque tínhamos uma equipe muito jovem. Faltou experiência no momento mais decisivo”, declarou.

Em 96, Jéferson começou bem no time titular do Sport. Mas na derrota diante do Central, por 1×0, no ínicio do Estadual daquele ano, o então camisa 1 do Leão foi o melhor em campo e, ao final do jogo, fez duras críticas ao elenco. Acabou sendo afastado pelo técnico Givanildo e, depois, pediu para deixar o clube. “Carrego esse arrependimento até hoje. O pessoal de casa, quando há algum desentendimento passa na minha cara até hoje. Eu não deveria ter deixado o Sport”, lamenta. Mesmo com a saída de Givanildo e alguns jogadores da equipe, Jéferson não teve mais oportunidade no Leão. “Falaram muita coisas maldosas, mas não houve nada. Apenas não tive mais oportunidade de voltar para o clube”, lembra.

Do Sport, Jéferson foi para o Volta Redonda e, de lá, vestiu a camisa do Criciúma, por indicação de Givanildo Oliveira. Foi também através do técnico pernambucano que o ex-goleiro chegou nos Aflitos para a disputa da Série B em 1996. “Sofri com o atraso dos salários. Fizemos um acordo: dos três meses de atraso, me pagariam apenas um. Mesm assim, não cumpriram. Acionei a Justiça e só recebi o que me deviamoito anos depois”, conta.   Depois do Timbu, Jéferson esteve na Ponte Preta e no Mogi Mirim, onde encerrou a carreira, em 99, aos 29 anos. “Depois disso, as portas se fecharam para mim e não quis mais jogar. Ainda tentei o showbol, mas não fui em frente”, declarou.

Jéferson reconhece que sempre teve uma personalidade forte e que não era uma pessoa de fácil convívio. “Sempre fui um cara que falava o que sentia. Se ficava chateado com alguma coisa, soltava o verbo. Vai ver que por isso não tenho muito amigos hoje”, diz. Jéferson é casado com Cláudia desde 1989. É pai de quatro filhos. Bernadro, 21 anos, que está se formando em direito, Manoela, que tem 11 anos, Mateus, 18, e Igor, 12, os dois últimos seguiram a carreira do pai e são goleiros. Igor, inclusive, está se destacando na escolinha do Fluminense.

A família do ex-goleiro sobrevive das rendas dos seus cinco táxis e das vans, que ele também aluga para empresas fazer traslado do aeroporto para o hotel ou também para eventos. “Quando eu era jogador, não existia altos salários como hoje. A realidade é bem diferente. Não deu para guardar muito dinheiro da época de jogador, mas estou vivendo bem. Porém, tenho que correr sempre para manter minha condição de vida”, declarou Jéferson.

Via Blog do Torcedor

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