[Era questão de honra] Há 3 anos, uma vitória para lavar a alma

 

 

Pela semifinal da Copa do Nordeste 2017, o Leão buscou a classificação na casa do adversário e respondeu em campo a provocação da partida de ida

 

Lucas Araújo

Há exatos três anos, o Sport batia o Santa Cruz por 2×0 no Arruda e escrevia um dos mais marcantes capítulos da história do centenário Clássico das Multidões de Recife. O duelo era válido pela partida de volta da semifinal da Copa do Nordeste de 2017, quatro dias depois do triunfo coral na Ilha do Retiro por 2×1 na partida de ida.

Porém além da classificação e da sensação sempre especial de vencer um rival, o jogo em questão teve uma dose a mais de realização para os rubro-negros. No revés da primeira partida, o atacante coral Haleff Pitbull havia comemorado o gol da vitória em cima do escudo leonino, provocando revolta e indignação no lado vermelho e preto da história. Reverter o placar na casa do adversário, além da importância esportiva em si, era questão de honra. E lavou a alma dos torcedores do Leão numa noite inesquecível.

Quando a bola rolou, a equipe então comandada por Ney Franco não precisou nem de um minuto para partir ao ataque. Aos 40 segundos André arriscou de fora da área, mas Júlio César fez grande defesa. Precisando de dois gols, os visitantes seguiram em cima, mas sofreram um duro golpe aos 15 minutos: Diego Souza, craque do time, sente dores na coxa e é substituído. Porém mal deu tempo de lamentar e no minuto seguinte, seu substituto Everton Felipe recebe passe de Rogério e finaliza com precisão para fazer um golaço e abrir o placar.

(Williams Aguiar/Sport Club do Recife).

Com muito jogo pela frente e apenas um gol separando a classificação tricolor da classificação rubro-negra, os donos da casa entraram no jogo. Aos 28, Thomás vence Magrão, mas Durval evita o gol de empate. Aos 30 o Santa Cruz teve a chance com sua maior arma: a bola parada de Anderson Salles, numa falta da meia lua. Mas na cobrança, Magrão faz ótima defesa, assim como na finalização de Thomás aos 37. No rebote, a sorte sorriu para os leoninos e Pereira furou com a barra vazia.

A etapa final foi marcada pela tensão. Os corais não criaram grandes chances, mas administravam o resultado sem levar muita pressão. A melhor chance tinha caído nos pés de Rithelly aos 20 minutos, que recebeu dentro da área, ajeitou, mas finalizou para longe. Pouco depois, o mesmo Rithelly viria a protagonizar um dos momentos chave do embate. Um pisão em Thomás, que gerou grande confusão e acabou na expulsão do camisa 21 e do volante tricolor Elicarlos, deixando o meio de campo mais aberto dos dois lados.

Aos 32, Magrão faz ótimo lançamento para Samuel Xavier, que cruza mal, mas a zaga afasta para a entrada da área. Sem marcar há nove jogos, André chega batendo chapado de primeira no canto esquerdo para marcar o gol da classificação do Leão e levando à loucura os mais de 6 mil rubro-negros presentes no Arruda. Os mandantes então perderam a cabeça, tendo mais dois expulsos por entradas desproporcionais e deixando mais espaço para o Sport que poderia ter ampliado em duas oportunidades, mas Rogério perdeu de frente para Júlio César.