COMPARTILHAR

(Foto: Sport Club do Recife)

Por Lucas Araújo – @_lucasaraujo98

Prática cada vez mais comum no futebol, a compra de clube por parte de uma empresa pode ter chegado ao Brasil, no CSA. E se fosse o Sport? Valeria a pena receber uma grande ajuda financeira abrindo mão de questões atreladas à história do clube?

Na última quinta-feira (02), Rafael Tenório, presidente do CSA confirmou a informação de que o clube alagoano recebeu uma proposta milionária de uma empresa chinesa, cujo nome não foi revelado, para ser vendido por um preço de cifras milionárias. Em caso da negociação ser concretizada, a promessa é de um investimento altíssimo, acompanhado do interesse de construção de uma arena e fortalecimento da base do clube.

Por se tratar de um clube de massa e tradição, o mandatário azulino fez questão de frisar que caso o negócio seja fechado, o nome e o escudo do CSA não seriam alterados, em respeito à história da instituição e paixão dos torcedores. Diante desse caso, e de tantos outros no futebol mundial, onde clubes muitas vezes centenários passam a pertencer a um dono ou a uma empresa, levanta-se o debate para o torcedor rubro-negro: você aceitaria que o Sport fosse vendido?

É de conhecimento de todos que o cenário vivido pelo Leão é delicado. Dívidas estrondosas reveladas na última gestão e que se mostraram ainda maiores do que todos imaginavam nos últimos balanços. Vislumbrando a quitação das dívidas do clube, investimentos ambiciosos que permitam o torcedor leonino voltar a sonhar com brigas por títulos de primeiro escalão e retorno a competições internacionais, sem dúvidas a proposta seria bastante tentadora.

No entanto, passar a ser a propriedade privada de uma pessoa ou empresa, seria de grande impacto na história e identidade institucional do Leão da Praça da Bandeira, que desde sua fundação, foi um clube que escolhia seus presidentes, tal como toda uma equipe para comandar a dirigência, a começar por Elysio Alberto Sobrinho, em 1905. E ao longo dos quase 114 anos da existência leonina, diferentes mandatários marcaram seus nomes em diversos patrimônios históricos, como Marcelino Lopes, presidente no ano de 1959, que dá nome a um dos ginásios das dependências da Ilha do Retiro, José de Andrade Médicis, que presidiu entre 1936 e 1939 e em 1948, que dá nome ao Centro de Treinamento, além de Adelmar da Costa Carvalho, presidente entre 1955 e 1958, que cede seu nome ao estádio palco dos jogos do time profissional.

Tendo construído, ao longo de sua história, uma identidade de clube pertencente ao seu povo, sua massiva e apaixonada torcida, ser passado para a mão de ‘‘um só’’, seja esse uma pessoa ou uma empresa, impactaria numa característica histórica, que faz parte da essência do Sport Club do Recife. Indiscutivelmente, investidores são bem vindos nos clubes, a exemplo da participação atual da Crefisa no Palmeiras, a Parmalat no mesmo Palmeiras na década de 90, a Unimed no Fluminense até poucos anos atrás. Nesses casos e em outros semelhantes, a instituição conta com o auxílio das parcerias, desde a quitação de dívidas, até o investimento na base e contratação de atletas, mas segue pertencendo ao torcedor, que vota, elege, participa ativamente do dia-a-dia. Torcedor esse que, por sua vez, é o maior sentido da existência de um grande clube de futebol, e por isso acredito que um clube que pertence a essa massa jamais pode sair das mãos dela.

Apesar de, a exemplo do próprio CSA, citado como exemplo no início do texto, uma compra pode estabelecer limitações que preservem a identidade histórica, como a proibição de mudar nome e escudo, ainda assim se veria o Sport passando a ser uma propriedade privada pertencente a alguém. Se não deixaria de ser vermelho e preto, se não deixaria de ser o Leão, se não deixaria de ter seu escudo e seu nome, deixaria de ser propriedade de sua apaixonada torcida. O que ultrapassaria, por parte da parceria, os limites de um investidor que estaria ali para ajudar, para estar ali para possuir algo centenário que pertence historicamente a todo um povo.

Pratique Sport com a gente!