[Opinião] “O jogo dos contextos e uma razão para surpreender”

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Foto: Anderson Stevens/Sport

 

Por Wesley Silvali

O futebol brasileiro é um grande carrossel. No Nordeste, onde o respaldo para o erro é mínimo ou praticamente inexistente, o Sport abusou de errar nos últimos anos. Tudo é repetitivo, o clube se agravou em sérios problemas e luta para manter-se em um nível honroso perante o seu torcedor.

Hoje, na elite do futebol nacional, após um acesso surpreendentemente e meritosamente tranquilo ao meio de um redemoinho tão feroz, há validade para afirmar que há soldados vivos em uma guerra difícil, mas que pode ser vencida. O clube estará na Série A e irá lutar para continuar nela, que é o seu lugar.

Diferente do eixo-maravilha, onde errar é uma condicional ultrapassada as vezes até com facilidade, devido as mil e uma bonanças que os clubes de lá conseguem obter através do CEP, o Sport, nordestino que é, esqueceu dessa raiz. E como esqueceu! Deixando, inclusive, de disputar o regional tratado em questão. O caos foi ganhando corpo. A areia movediça tornou-se um buraco.

Foto: Fortaleza E.C.

E surge, ao meio de tudo, mais um grande simbolismo disso. São tantos! Dessa vez, falo do duelo de ontem, frente ao Fortaleza. Há cinco anos, o Sport eliminou os cearenses, encravados na Série C. Comemoração? Que nada! Passado a euforia do drama da classificação nos pênaltis, choveu críticas. A classificação, naquela altura, devia, segundo quem forma opinião, ter sido bem mais fácil.

Esse contexto tornou-se ainda mais simbólico no duelo de agora, em 2020. Embalado, o Fortaleza era o favorito e o pessimismo tomou conta. Rubro-negros tentam ganhar RTs e curtidas nas redes sociais enfeitando a frase pessimista que mais seja engraçada e cruel. Por dentro, há raiva e angústia. Sentimentos justos.

As coisas mudaram. O carrossel girou. Bam bam bam do Nordeste em 2015, hoje o Sport tenta respirar. Periférico naquela altura, o Fortaleza lutava para seguir evoluindo. Dizer que a responsabilidade do jogo esteve nas mãos dos cearenses, contudo, é um viés confuso. Por pior que seja o momento do rubro-negro e por melhor que seja o do rival da vez, o Sport será “a” grande camisa sempre que entrar em campo dentro de um duelo regional.

Se o primeiro contexto deflagra a crise existencial do clube no momento, o segundo ascende a mística do crescimento na hora da adversidade. Para o bem ou para o mal, surpresa é quando o Sport não surpreende.