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(Foto: Anderson Stevens)

Depois de um início positivo, com estilo ofensivo e fazendo o ‘‘simples’’ na escalação, treinador vem insistindo em peças que não têm entregado resultado

 

Por Lucas Araújo 

Após apostar em Milton Cruz no início da temporada, mas não conseguir encontrar um futebol convincente e perder nos primeiros grandes testes do ano (Tombense e Santa Cruz), o Sport decidiu trocar de treinador e trazer Guto Ferreira. Chegando com aprovação da torcida e imprensa, o técnico deu uma nova cara ao time ao corrigir alguns pontos contestados na era Milton Cruz e implantar um modelo objetivo e ofensivo à equipe.

Tendo o Campeonato Pernambucano como única competição no início de sua trajetória no Leão, o resultado foi o melhor possível: acabou a primeira fase na liderança, e no mata-mata sagrou-se campeão. Chega então o principal desafio leonino no ano, a disputa da segunda divisão e a missão de voltar para a elite. Após uma série de três empates seguidos no início, a equipe de Guto viveu seu melhor momento na Série B. Sem mudar seu estilo de jogar, o Rubro-negro conquistou quatro vitórias em cinco jogos até a parada para a Copa América.

Dentro dessa sequência, o treinador parecia ter encontrado a forma ideal para o funcionamento do time, sobretudo no setor de meio de campo. Após lesão do até então titular Ronaldo, a volância passou a ser composta por João Igor e Charles. E foi nessa composição que o Sport chegou até a pausa no campeonato de maneira bem positiva. No entanto, desde o retorno, Guto sacou João Igor e parece ter se desencontrado, nesse aspecto, com nítido reflexo nos resultados: cinco empates e apenas uma vitória desde então.

João Igor é nome forte nas arquibancadas da Ilha. (Foto: Anderson Stevens/Sport)

Optando pelo uso de Yago na cabeça de área, nas três primeiras partidas pós Copa América, Guto foi responsabilizado por grande parte dos torcedores pelos três empates indigestos contra três adversários na parte de baixo da tabela (São Bento, Cuiabá e Brasil de Pelotas). Desde então, tem escalado Ronaldo, que era titular até se machucar no final de abril, e que tem sido talvez o maior alvo de reclamações por parte dos rubro-negros.

Outra grande crítica da torcida às escolhas feitas pelo comandante é a insistência no atacante Ezequiel. Eleito craque do Campeonato Pernambucano, tendo inclusive sido autor do gol da vitória no primeiro jogo da final, o atleta não conseguiu repetir o bom desempenho até aqui na segundona e tem colecionado atuações improdutivas, além de não ter marcado nenhum gol e vir sendo presa fácil das defesas adversárias.

Craque do Pernambucano, Ezequiel ainda não mostrou o bom futebol que o consagrou com a torcida rubro-negra. (Foto: Anderson Stevens/Sport)

Com desfalque dos dois laterais esquerdos (Sander e Guilherme Lazaroni) para enfrentar o Coritiba na última rodada, a escolha do técnico leonino foi improvisar o zagueiro Eder no setor. Desta forma, o time perdeu a ofensividade na posição e o próprio jogador demonstrou dificuldades em executar a função. A bronca quanto a essa escolha, era a opção do lateral direito Raul Prata no banco, que apesar da nítida má fase, já tem experiência em atuar improvisado na posição.

Para o papel de primeiro volante, a esperança fica por conta de Marcão Silva, contratado no final de julho para sua segunda passagem no clube após sete meses nos Emirados Árabes. No ataque, ainda que não seja unanimidade, o recém chegado atacante Yan agradou nos amistosos contra o CSA e já balançou as redes no jogo contra o Guarani, apresentando verticalidade e objetividade. Aparece como “sombra” para a vaga de Ezequiel. Esses, além de outros jogadores (o próprio João Igor na volância, Hiury no ataque) surgem como opções para setores que nitidamente não estão rendendo, e que a insistência de Guto está custando não só a paciência do torcedor, como os resultados dentro de campo e posições na tabela.

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