Sport tem uma década de fracassos na Copa do Brasil

Após o título conquistado há quase doze anos, o Leão nunca mais conseguiu fazer uma boa campanha na competição.

 

 

Lucas Araújo

A Copa do Brasil de 2008 está eternizada no coração de todos os torcedores do Sport que acompanharam a conquista, lembrada e exaltada com muito orgulho e carinho até hoje pelos leoninos. No entanto, de lá para cá o Rubro-negro voltou a disputar a competição onze vezes e nunca mais conseguiu repetir uma campanha de destaque na mesma, sem sequer chegar às quartas de final. Duas eliminações nas oitavas de final, uma na terceira fase, quatro na segunda e outras quatro na primeira. O total de oito eliminações nas duas primeiras fases em onze campanhas é um número que assusta vindo do nordestino dono do melhor desempenho no torneio, único da região a levantar a taça, além de chegar em outra final e mais duas semifinais.

Oitavas de Final

Chegar às oitavas da Copa do Brasil está longe de ser encarado como um grande feito pela torcida, mas foi o melhor que o Leão conseguiu desde que conquistou o torneio. Em 2010, após bater o Brasília por 4×2 fora de casa e eliminar o segundo jogo, depois se classificar diante do Paraná com muita dificuldade, empatando em 1×1 fora e vencendo por 1×0 na Ilha, a equipe comandada por Givanildo Oliveira encarou o Atlético-MG e não teve chances, perdendo na ida e na volta. Por ser um duelo entre um time da primeira contra um da segunda divisão, a eliminação pode ser encarada com certa naturalidade na ocasião.

O Sport só voltou a chegar na mesma fase sete anos depois, já com o atual regulamento da competição. Após passar com facilidade por CSA, Sete de Dourados e Boavista, o Rubro-negro teve pela frente o Botafogo nas oitavas, contra quem saiu vencendo fora de casa, mas vacilou além da conta e permitiu a virada no Engenhão mesmo com um homem a mais e com direito a pênalti perdido. Na volta, os leoninos se complicaram já no primeiro tempo, quando saíram perdendo e tiveram um jogador expulso. O empate na etapa final foi insuficiente e os recifenses deixaram a competição.

Terceira fase

O ano de 2015 ficou marcado na Ilha do Retiro pela excelente campanha no Campeonato Brasileiro, mas nas outras competições o Sport não teve o mesmo sucesso. Na Copa do Brasil, despachou facilmente o Cene-MT na fase de estreia e a Chapecoense na segunda, numa disputa de pênaltis após um 2×0 para cada lado. Na terceira fase, o dilema veio à tona: avançar e seguir na competição, ou ser eliminado e jogar a Sul-Americana? O adversário era o Santos, contra quem o Leão venceu na Ilha por 2×1, mas caiu no revés por 3×1 na Vila Belmiro. Como a queda garantiu a presença na Sul-Americana, não foi muito sentida pela torcida.

Segunda fase

Pelo mesmo motivo de 2015, a eliminação em 2014 não foi muito sentida pelos Rubro-negros. Contra o Paysandu, Eduardo Baptista mandou à campo um time misto nos dois jogos, perdendo por 2×1 na ida e vencendo por 3×2 na volta, caindo devido ao critério de gols fora de casa. Em 2013 a saída precoce diante do ABC, com duas derrotas (2×0 e 3×2) também viria a levar o Leão à Sul-Americana, porém somente devido a uma decisão tomada pela CBF meses depois. Por isso, o insucesso na copa nacional acabou custando o cargo do técnico Sérgio Guedes.

Todavia, os maiores baques na segunda fase sem dúvidas foram os de 2012 e 2018. Na primeira situação, num confronto de uma equipe da primeira contra o Paysandu na terceira divisão, a eliminação veio com duas derrotas, incluindo a sonora goleada por 4×1 na Ilha do Retiro e o início da trajetória de Yago Pikachu como carrasco do clube. Em 2018, após abrir 3×0 com tranquilidade ante o Ferroviário, o Sport dormiu no ponto e sofreu o empate em 11 minutos, seguido pela derrota nos pênaltis por 4×3.

Primeira fase

Algo que não acontecia desde 2000 voltou a acontecer em onze anos depois e se tornou comum na década atual: sair na primeira etapa da Copa do Brasil. Com exceção de 2016, quando mandou à campo o time C no jogo de ida e o time B no jogo de volta e foi eliminado pela Aparecidense, priorizando a disputa da Sul-Americana no segundo semestre, as quedas no primeiro desafio da competição geraram muita revolta e indignação na torcida leonina. Em 2011, depois de um empate em 0x0 em São Luís, um 2×2 contra o Sampaio Corrêa na Ilha do Retiro custou a continuidade na competição.

Nos últimos dois anos, duas eliminações seguidas na estreia. Em 2019 um sonoro 3×0 da Tombense, naquela que talvez foi a pior partida de Magrão com a camisa rubro-negra, e numa temporada em que o dinheiro da premiação surgia como algo urgente. Em 2020, jogando pelo empate e vindo de seis empates em oito jogos, o Sport perdeu a primeira no ano diante do Brusque e deu adeus ao campeonato logo de cara. O que era para ser algo fácil, se torna uma sina para a torcida: quando o Leão voltará a fazer uma boa campanha na Copa do Brasil?