Tá vendo aquele estádio, moço

 

 

operariomanegarrincha

Por Roberto Vieira

Lúcio Barbosa não imaginava.

Nem Zé Geraldo.

Tá vendo aquele estádio, moço?

Olho pra cima e fica tonto.

Quando chega o cidadão.

Tu taí admirado ou está querendo roubar?

Pois pra aumentar o tédio.

O operário nem pode olhar pro estádio que ajudou a erguer.

Lá ele quase se arrebenta.

Misturou massa e fez cimento.

Suor, medo e tempo.

Uma pelada pra presidenta.

E depois nem pelada nem presidenta.

Pensou em levar a filha pra ver o estádio construído.

‘Pai, tu me leva lá?’

Mas os ingressos pros filhos.

Ele também não pode pagar.

Já não existe geral nem geraldino.

Tudo branco, high tech e higiênico.

Negros só alguns jogadores e uns pouco torcedores.

Pelé menino não poderia entrar.

Romário?

Nem pensar.

Nem Eusébio, nem Garrincha, nem Ronaldo.

Só Leônidas e olhe lá!

Lúcio Barbosa não imaginava.

Nem Zé Geraldo.

O futebol criou asas.

E na maioria dos estádios.

Pobre não pode entrar…

Via Blog do Juca

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